sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Pílulas de fé

De tempos em tempos, instala-se na sociedade alguma discussão ligada às questões da sexualidade e das políticas anticonceptivas impulsionadas pelo Estado.
Invariavelmente, essas discussões contrapõem Estado e Igreja (isso nas sociedades onde a Igreja não é parte do Estado ou vice-versa). Um dos mais novos embates se dá em Pernambuco, onde a Arquidiocese da Igreja Católica tenta impedir (através de liminares na justiça) a distribuição gratuita da pílula do dia seguinte no período do Carnaval. A distribuição da pílula é uma ação da Prefeitura de Recife, apoiada pelo Ministério da Saúde.
Pra deixar bem claro: sou ateu de carteirinha. Isso já deve bastar pra situar de que lado do embate estou...
Não pretendo entrar na discussão sobre a eficácia ou não da pílula, nem sobre a falência das políticas públicas de controle da natalidade, muito menos da existência ou não de um deus. Meu problema é outro.
Na verdade, fico fulo com esse tipo de discussão, pois ela começa deixando de lado o pressuposto de que toda pessoa deveria ter o direito ao livre arbítrio.
Se católicos (ou praticantes de qualquer religião) não concordam com a utilização da pílula do dia seguinte (ou do uso da camisinha), que não a utilizem e ponto final! O Ministério da Saúde não está obrigando ninguém a utilizar a tal pílula, logo, usa quem quer.
As igrejas têm seus locais apropriados (catedrais, templos etc.) para convencer “seu público” da justeza de suas posições. Ao recorrer a medidas judiciais, a igreja abandona o campo da fé e se porta como uma organização/instituição qualquer pertencente à sociedade civil. Nesse caso, deveria antes de tudo começar a pagar impostos, como a maioria delas, pelo menos para deixá-la em igualdade de condições conosco, pobres mortais.
Aliás, independentemente desta discussão pontual, acho mais é que as igrejas tem que pagar imposto, mas não é porque elas se portam como uma organização/instituição da sociedade civil, mas sim por arrecadarem dinheiro como qualquer empresa, cabendo, portanto, retenção de imposto na fonte por lucro líquido presumido.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Pesquisa

Acatando a sugestão de um post anônimo e, deixando claro assim que este é um espaço democrático, aberto à todos aqueles que concordem com minhas opiniões, fica aqui a pergunta:

"Que obra do acervo do Masp vc gostaria de ter em casa?"

e adendo o seguinte:

"Relaciona-se com alguém capaz de gatunar tal obra para presenteá-lo(a)?"

Tyukanov

Nas minhas viagens via uéb atrás dos passos de Bosch (veja o post abaixo), acabei encontrando outro artista muito interessante, provavelmente influenciado por ele. Seu nome é Sergey Tyukanov e o pouco que sei dele é que nasceu em Poronaisk (na Rússia) em 1955, ainda está vivo e mora em Kaliningrado.
Ele tem um site muito interessante que permite uma visita virtual ao seu “museu”, o link é http://www.tyukanov.com/
Divirta-se, este também vale o tempo gasto!




quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Bosch

Se pensou em furadeira, se deu mal; a conversa aqui será outra...
Começo avisando que não sou crítico de arte, aliás, entendo pouco ou quase nada disso. Então, apreciar determinada obra, pra mim, sempre se baseou mais em intuição do que em embasamento teórico ou coisa que o valha.
Vejo. Gosto ou não gosto. E depois, se fiquei realmente impactado, vou atrás de informações que me ajudem a entender um pouco mais de determinado artista ou obra.
O recente roubo de duas obras de arte que estavam expostas no Masp (Museu de Arte de São Paulo - http://masp.uol.com.br/) – uma de Cândido Portinari e outra de Pablo Picasso (ambas já recuperadas) –, fez-me pensar que deveria visitar com mais freqüência este museu. Afinal, a gente nunca sabe quando um fato destes se repetirá e, menos ainda, qual a preferência artística do próximo ladrão.
Cá entre nós, se eu tivesse me bandeado pro lado dos amigos do alheio, minha velha intuição me faria levar outras obras. É evidente que não estou desmerecendo Portinari ou Picasso, os dois são merecedores de uma boa gatunagem (caberia aqui um ponto de ironia, mas o Millôr só falou dele e não o rascunhou), mas meu escolhido seria Hieronymus Bosch, artista holandês (1450-1516) também conhecido como El Bosco, que tem duas obras expostas no Masp: As tentações de Santo Antão e O casamento desigual. Acredite, depois de vê-las, você vai querer conhecer mais de Bosch.
No meu caso, aconteceu assim e, navegando pela Uéb, acabei fazendo uma visita virtual ao Museo Nacional del Prado, na Espanha (http://museoprado.mcu.es/). Aí sim o queixo cai de vez. Do mesmo artista, você encontrará O Jardim das Delícias (El jardín de las Delicias o La pintura del madroño). Sensacional! E, pra melhorar, o site permite uma ampliação bem razoável da imagem. Também vale a pena fazer o download da obra, pois os detalhes são inúmeros.
Fica aqui a dica.


sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Babel


De uns tempos pra cá, está ficando cada vez mais difícil de eu ler um livro de cabo-a-rabo, em uma levada só. Não sei, se o autor não me convence 100% logo no início, marco a página, pego outro livro e assim vai... Tem se tornado um hábito fazer um “revezamento literário”.
Após algumas semanas, volto ao primeiro da pilha e avanço mais alguns capítulos. Assim, ando lendo cinco ou seis livros ao mesmo tempo e, em geral, os assuntos não se relacionam. Verdadeira Babel. Talvez isso explique a desconexão entre os assuntos abordados neste blog... Tenham paciência, um dia destes retomo o foco.




quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Novas velhas descobertas.

Após quase três anos sem viajar nas férias, acabei de voltar de uma semana de merecido descanso. Encontrei no Sul de Minas um lugar paradisíaco, do qual falarei com mais detalhes em futuras postagens.
Dentre as várias ocasiões em que me deparei com cenas e fatos surreais, conto que ontem, pouco antes de retornar a São Paulo, estava à beira de uma piscina de água mineral — sim, sim, foi a minha semana de extravagâncias — quando o dono da pousada em que me encontrava começou a capitanear um CD portátil com algumas das músicas mais belas que ouvi nos últimos anos.
Aqui vou deixar a dica de uma das intérpretes. Trata-se de uma francesa de nome Mireille Mathieu. Confesso do alto de minha imensa ignorância que nunca havia ouvido falar dela. Mas uma rápida busca no google dá conta de que esta já tem vários anos de estrada e uma imensa discografia.
O CD que ouvi nessa pequena pousada chama-se Mireille Mathieu Chante Piaf; o detalhe é que no CD que escutei, ela canta em alemão (apesar de ser francesa de Avignon). Não consegui encontrar referência no google deste CD (até porque não fiz uma pesquisa muito demorada), mas há uma versão em francês igualmente boa. Pelo que entendi é de 1993 e foi remixada em 2003. Não substitui a Piaf original, mas é, igualmente, de cair o queixo.

01. La Vie En Rose
02. La Foule
03. Sous le Ciel de Paris
04. Mon Dieu
05. L'Homme a la Moto
06. Exodus
07. Padam Padam
08. L'Hymme a L'Amour
09. Mon Manege a Moi
10. Jezebel
11. L´Accordeoniste
12. Milord
13. Non, Je Ne Regrette Rien






sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

A nova farda do Condor

Apesar da pouca repercussão dada pela nossa grande imprença (o “ç” é proposital, usarei “s” apenas quando me referir àquela minimamente séria) um fato, ocorrido no começo desta semana, deveria servir de exemplo para os que vivem bradando à favor da “consolidação do processo democrático”. No dia 17 de dezembro foi preso pela Interpol, em Montevidéu, no Uruguai, o Tenente-General (r) Gregório “Goyo” Alvarez, último “presidente” da ditadura que se abateu sobre esse país de 1973 a 1985.
Em 1978, como parte de uma das ações da Operação Condor (ações de “contra-subversão” realizadas em conjunto pelos serviços de inteligência das ditaduras do Cone Sul nas décadas de 70 e 80) uma série de vôos clandestinos partiram da Argen
tina com destino ao Uruguai levando dezenas de prisioneiros de organizações de esquerda que haviam sido capturados e/ou seqüestrados pelos órgãos de repressão daquele país. No Uruguai a maioria dos prisioneiros acabou sendo torturada e/ou “desaparecida”.
Apesar da existência de uma lei de anistia (ley de caducidad) aprovada através de plebiscito no final dos anos 80, o ex-ditador não pode escapar de uma acusação de “desaparecimento forçado” de cidadãos uruguaios. O desaparecimento forçado foi excluído da lei de anistia há dois anos, através da publicação de uma nova lei.
A “consolidação do processo democrático” nos países da AL que sofreram com ditaduras depende mais da pressão das organizações que lutam pelos direitos humanos (como às de familiares de desaparecidos) e dos movimentos sociais, do que da boa vontade dos governos e políticos nacionais. Este pode ser um bom exemplo a ser seguido... a imagem diz tudo.




O começo...

O nascimento deste Blog vem sendo postergado há quase dois anos. Excesso de trabalho, excesso de cansaço e falta de tempo são desculpas habituais que dei a alguns amigos que me perguntaram porque não botava o dito-cujo para funcionar. Essas desculpas, apesar de verdadeiras, serviam também para escamotear uma certa frustração com esta ferramenta. Será que criar um Blog apenas para fazer circular algumas idéias e debates pela rede pode fazer alguma diferença neste mundo de mediocridade em que vivemos? Talvez não. Contudo não posso afirmar que não há nada de positivo nisso. O intercâmbio de informações, debates, sugestões, etc, quem sabe, possa despertar pessoas e gerar reações. Vamos à luta então e sejam bem-vindos.