Este é um museu virtual uruguaio.
O MUVA é bancado por um jornal de Montevidéu e traz obras de artistas contemporâneos.
Além de ver as exposicões, é bem legal dar um "passeio" pelos andares.
As obras abaixo são de uma das exposições que estão rolando agora. A artista chama-se Lacy Duarte e trabalha com diversas técnicas, como óleo sobre tela e tapeçaria.
http://muva.elpais.com.uy/
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segunda-feira, 16 de agosto de 2010
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Preto e Branco
Li recentemente, e recomendo, "Preto no Branco - Fatos e Fotos" (Editora Photos), do repórter fotográfico Flávio Damm. Trata-se de uma apanhado de histórias vividas pelo autor, ao longo de 64 anos de profissão.
Eis um trecho:
"...Numa das saídas do aeroclube, à pouca altura ainda, na direção da igreja da Penha, o motor parou. E voltou a funcionar. Repetiu esse preocupante comportamento quatro vezes. Gritei para o piloto, querendo saber o que estava havendo. Perdíamos um pouco de altura e logo o motor voltava a funcionar. Foi quando o Lugão me respondeu, gritando a frase fatal:
- Estou avisando a minha mulher que hoje não vou almoçar em casa..."
Eis um trecho:
"...Numa das saídas do aeroclube, à pouca altura ainda, na direção da igreja da Penha, o motor parou. E voltou a funcionar. Repetiu esse preocupante comportamento quatro vezes. Gritei para o piloto, querendo saber o que estava havendo. Perdíamos um pouco de altura e logo o motor voltava a funcionar. Foi quando o Lugão me respondeu, gritando a frase fatal:
- Estou avisando a minha mulher que hoje não vou almoçar em casa..."
quinta-feira, 26 de junho de 2008
E assim ele disse.
A extraordinária aventura vivida por Vladímir Maiakóvski no verão da datcha(1)
(Púchkino, monte Akula, datcha de Rumiántzev, a 27 verstas(2) pela estrada
de ferro de Iaroslávl)
A tarde ardia com cem sóis.
O verão rolava em julho.
O calor se enrolava
no ar e nos lençóis
da datcha onde eu estava.
Na colina de Púchkino, corcunda,
o monte Akula,
e ao pé do monte
a aldeia enruga
a casca dos telhados.
E atrás da aldeia,
um buraco
e no buraco, todo dia,
o mesmo ato:
o sol descia
lento e exato.
E de manhã
outra vez
por toda a parte
lá estava o sol
escarlate.
Dia após dia
isto
começou a irritar-me
terrivelmente
Um dia me enfureço a tal ponto
que, de pavor, tudo empalidece.
E grito ao sol, de pronto:
"Desce!
Chega de vadiar nessa fornalha!"
E grito ao sol:
"Parasita!
Você, aí, a flanar pelos ares,
e eu, aqui, cheio de tinta,
com a cara nos cartazes!"
E grito ao sol:
"Espere!
Ouça, topete de ouro,
e se em lugar
desse ocaso
de paxá
você baixar em casa
para um chá?"
Que mosca me mordeu!
É o meu fim!
Para mim
sem perder tempo
o sol
alargando os raios-passos
avança pelo campo.
Não quero mostrar medo.
Recuo para o quarto.
Seus olhos brilham no jardim.
Avançam mais.
Pelas janelas,
pelas portas,
pelas frestas,
a massa
solar vem abaixo
e invade a minha casa.
Recobrando o fôlego,
me diz o sol com voz de baixo:
"Pela primeira vez recolho o fogo,
desde que o mundo foi criado.
Você me chamou?
Apanhe o chá,
pegue a compota, poeta!"
Lágrimas na ponta dos olhos
— o calor me fazia desvairar —
eu lhe mostro
o samovar:
"Pois bem,
sente-se astro!"
Quem me mandou berrar ao sol
insolências sem conta?
Contrafeito
me sento numa ponta
do banco e espero a conta
com um frio no peito.
Mas uma estranha claridade
fluía sobre o quarto
e esquecendo os cuidados
começo
pouco a pouco
a palestrar com o astro.
Falo
disso e daquilo,
como me cansa a Rosta(3),
etc.
E o sol:
"Está certo,
mas não se desgoste,
não pinte as coisas tão pretas.
E eu? Você pensa
que brilhar
é fácil?
Prove, pra ver!
Mas quando se começa
é preciso prosseguir
e a gente vai e brilha pra valer!"
Conversamos até a noite
ou até o que, antes, eram trevas.
Como falar, ali, de sombras?
Ficamos íntimos,
os dois.
Logo,
com desassombro,
estou batendo no seu ombro.
E o sol, por fim:
"Somos amigos
pra sempre, eu de você,
você de mim.
Vamos, poeta,
cantar,
luzir
no lixo cinza do universo.
Eu verterei o meu sol
e você o seu
com seus versos."
O muro das sombras,
prisão das trevas,
desaba sob o obus
dos nossos sóis de duas bocas.
Confusão de poesia e luz,
chamas por toda a parte.
Se o sol se cansa
e a noite lenta
quer ir pra cama,
marmota sonolenta,
eu, de repente,
inflamo minha flama
e o dia fulge novamente.
Brilhar pra sempre,
brilhar como um farol,
brilhar com brilho eterno,
gente é pra brilhar,
que tudo mais vá pro inferno,
este é meu slogan
e o do sol.
1920
(1) Datcha: casa de veraneio
(2) Versta: medida itinerária equivalente a 1067 m.
(3) Rosta: A agência telegráfica russa, para a qual Maiakóvski executou cartazes saíricos de noícias.
Extraído do livro Maiakóvski (de Boris Schnaiderman, Augusto e Haroldo de Campos)
(Púchkino, monte Akula, datcha de Rumiántzev, a 27 verstas(2) pela estrada
de ferro de Iaroslávl)
A tarde ardia com cem sóis.
O verão rolava em julho.
O calor se enrolava
no ar e nos lençóis
da datcha onde eu estava.
Na colina de Púchkino, corcunda,
o monte Akula,
e ao pé do monte
a aldeia enruga
a casca dos telhados.
E atrás da aldeia,
um buraco
e no buraco, todo dia,
o mesmo ato:
o sol descia
lento e exato.
E de manhã
outra vez
por toda a parte
lá estava o sol
escarlate.
Dia após dia
isto
começou a irritar-me
terrivelmente
Um dia me enfureço a tal ponto
que, de pavor, tudo empalidece.
E grito ao sol, de pronto:
"Desce!
Chega de vadiar nessa fornalha!"
E grito ao sol:
"Parasita!
Você, aí, a flanar pelos ares,
e eu, aqui, cheio de tinta,
com a cara nos cartazes!"
E grito ao sol:
"Espere!
Ouça, topete de ouro,
e se em lugar
desse ocaso
de paxá
você baixar em casa
para um chá?"
Que mosca me mordeu!
É o meu fim!
Para mim
sem perder tempo
o sol
alargando os raios-passos
avança pelo campo.
Não quero mostrar medo.
Recuo para o quarto.
Seus olhos brilham no jardim.
Avançam mais.
Pelas janelas,
pelas portas,
pelas frestas,
a massa
solar vem abaixo
e invade a minha casa.
Recobrando o fôlego,
me diz o sol com voz de baixo:
"Pela primeira vez recolho o fogo,
desde que o mundo foi criado.
Você me chamou?
Apanhe o chá,
pegue a compota, poeta!"
Lágrimas na ponta dos olhos
— o calor me fazia desvairar —
eu lhe mostro
o samovar:
"Pois bem,
sente-se astro!"
Quem me mandou berrar ao sol
insolências sem conta?
Contrafeito
me sento numa ponta
do banco e espero a conta
com um frio no peito.
Mas uma estranha claridade
fluía sobre o quarto
e esquecendo os cuidados
começo
pouco a pouco
a palestrar com o astro.
Falo
disso e daquilo,
como me cansa a Rosta(3),
etc.
E o sol:
"Está certo,
mas não se desgoste,
não pinte as coisas tão pretas.
E eu? Você pensa
que brilhar
é fácil?
Prove, pra ver!
Mas quando se começa
é preciso prosseguir
e a gente vai e brilha pra valer!"
Conversamos até a noite
ou até o que, antes, eram trevas.
Como falar, ali, de sombras?
Ficamos íntimos,
os dois.
Logo,
com desassombro,
estou batendo no seu ombro.
E o sol, por fim:
"Somos amigos
pra sempre, eu de você,
você de mim.
Vamos, poeta,
cantar,
luzir
no lixo cinza do universo.
Eu verterei o meu sol
e você o seu
com seus versos."
O muro das sombras,
prisão das trevas,
desaba sob o obus
dos nossos sóis de duas bocas.
Confusão de poesia e luz,
chamas por toda a parte.
Se o sol se cansa
e a noite lenta
quer ir pra cama,
marmota sonolenta,
eu, de repente,
inflamo minha flama
e o dia fulge novamente.
Brilhar pra sempre,
brilhar como um farol,
brilhar com brilho eterno,
gente é pra brilhar,
que tudo mais vá pro inferno,
este é meu slogan
e o do sol.
1920
(1) Datcha: casa de veraneio
(2) Versta: medida itinerária equivalente a 1067 m.
(3) Rosta: A agência telegráfica russa, para a qual Maiakóvski executou cartazes saíricos de noícias.
Extraído do livro Maiakóvski (de Boris Schnaiderman, Augusto e Haroldo de Campos)
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
Novas velhas descobertas.
Após quase três anos sem viajar nas férias, acabei de voltar de uma semana de merecido descanso. Encontrei no Sul de Minas um lugar paradisíaco, do qual falarei com mais detalhes em futuras postagens.
Dentre as várias ocasiões em que me deparei com cenas e fatos surreais, conto que ontem, pouco antes de retornar a São Paulo, estava à beira de uma piscina de água mineral — sim, sim, foi a minha semana de extravagâncias — quando o dono da pousada em que me encontrava começou a capitanear um CD portátil com algumas das músicas mais belas que ouvi nos últimos anos.
Aqui vou deixar a dica de uma das intérpretes. Trata-se de uma francesa de nome Mireille Mathieu. Confesso do alto de minha imensa ignorância que nunca havia ouvido falar dela. Mas uma rápida busca no google dá conta de que esta já tem vários anos de estrada e uma imensa discografia.
O CD que ouvi nessa pequena pousada chama-se Mireille Mathieu Chante Piaf; o detalhe é que no CD que escutei, ela canta em alemão (apesar de ser francesa de Avignon). Não consegui encontrar referência no google deste CD (até porque não fiz uma pesquisa muito demorada), mas há uma versão em francês igualmente boa. Pelo que entendi é de 1993 e foi remixada em 2003. Não substitui a Piaf original, mas é, igualmente, de cair o queixo.
01. La Vie En Rose
02. La Foule
03. Sous le Ciel de Paris
04. Mon Dieu
05. L'Homme a la Moto
06. Exodus
07. Padam Padam
08. L'Hymme a L'Amour
09. Mon Manege a Moi
10. Jezebel
11. L´Accordeoniste
12. Milord
13. Non, Je Ne Regrette Rien

Dentre as várias ocasiões em que me deparei com cenas e fatos surreais, conto que ontem, pouco antes de retornar a São Paulo, estava à beira de uma piscina de água mineral — sim, sim, foi a minha semana de extravagâncias — quando o dono da pousada em que me encontrava começou a capitanear um CD portátil com algumas das músicas mais belas que ouvi nos últimos anos.
Aqui vou deixar a dica de uma das intérpretes. Trata-se de uma francesa de nome Mireille Mathieu. Confesso do alto de minha imensa ignorância que nunca havia ouvido falar dela. Mas uma rápida busca no google dá conta de que esta já tem vários anos de estrada e uma imensa discografia.
O CD que ouvi nessa pequena pousada chama-se Mireille Mathieu Chante Piaf; o detalhe é que no CD que escutei, ela canta em alemão (apesar de ser francesa de Avignon). Não consegui encontrar referência no google deste CD (até porque não fiz uma pesquisa muito demorada), mas há uma versão em francês igualmente boa. Pelo que entendi é de 1993 e foi remixada em 2003. Não substitui a Piaf original, mas é, igualmente, de cair o queixo.
01. La Vie En Rose
02. La Foule
03. Sous le Ciel de Paris
04. Mon Dieu
05. L'Homme a la Moto
06. Exodus
07. Padam Padam
08. L'Hymme a L'Amour
09. Mon Manege a Moi
10. Jezebel
11. L´Accordeoniste
12. Milord
13. Non, Je Ne Regrette Rien

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